Doenças

Conteúdo atualizado em: 11/08/2025

Autor

Adriane Wendland Ferreira - Embrapa Arroz e Feijão

Murillo Lobo Junior - Embrapa Arroz e Feijão

 

Entre os principais fatores que limitam a produtividade do feijão-comum (Phaseolus vulgaris L.) no Brasil, as doenças continuam tendo papel de destaque. Essa leguminosa é suscetível a uma ampla gama de patógenos, incluindo fungos, bactérias, vírus e nematoides, cuja incidência varia conforme a época de cultivo, região e condições climáticas.

O cultivo do feijoeiro no Brasil tradicionalmente ocorre em três safras anuais:

Safra das águas (verão): semeadura entre agosto e dezembro e colheita entre novembro e março;

Safra da seca: semeadura entre janeiro e abril;

Safra de outono-inverno: semeadura a partir de maio, com colheita entre agosto e setembro.

Durante a safra das águas, predominam temperaturas elevadas e alta umidade, condições que favorecem intensamente a ocorrência de doenças, principalmente as de origem fúngica e bacteriana. Destacam-se nesta época:

Antracnose (Colletotrichum lindemuthianum),

Mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum),

Crestamento-bacteriano-comum (Xanthomonas phaseoli pv. phaseoli e X. citri pv. fuscans),

Murcha de Curtobacterium (Curtobacterium flaccumfaciens pv. flaccumfaciens).

A ocorrência de dias chuvosos com temperaturas amenas e alta umidade relativa favorece significativamente a antracnose e o mofo-branco, inclusive em regiões tradicionalmente menos úmidas, sobretudo em áreas com irrigação por pivô- central e presença de escleródios no solo.

Nas safras da seca e de outono-inverno, prevalecem outras doenças importantes:

Mancha-angular (Pseudocercospora griseola),

Murcha de Fusarium (Fusarium oxysporum f. sp. phaseoli),

Mosaico-dourado, causado pelo Bean golden mosaic virus (BGMV), transmitido pela mosca-branca (Bemisia tabaci),

Crestamento-bacteriano-comum (Xanthomonas phaseoli pv. phaseoli e X. citri pv. fuscans)

Murcha de Curtobacterium (Curtobacterium flaccumfaciens pv. flaccumfaciens).

Embora a antracnose seja menos frequente nessas épocas, pode afetar plantios tardios (abril em diante), especialmente no Sul do Brasil, onde a umidade relativa ainda pode ser elevada. Já nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, a menor ocorrência de chuvas e temperaturas mais altas resultam em menor severidade de doenças foliares, tornando essas épocas mais adequadas para a produção de sementes.

Contudo, eventos climáticos extremos e irregulares, cada vez mais comuns nos últimos anos, têm levado à ocorrência esporádica de chuvas durante as safras secas, o que favorece reinfecções por antracnose e mofo-branco, inclusive em regiões historicamente mais secas.

As doenças de solo, como murcha de Fusarium (Fusarium solani) e de Rhizoctonia (Rhizoctonia solani), continuam diretamente relacionadas à presença de inóculo no solo, manejo inadequado do solo e ausência de rotação de culturas. O uso crescente de cultivares suscetíveis em sistemas intensivos tem agravado esses problemas.

Já a incidência de mosaico-dourado, principal virose que afeta a cultura, com exceção de parte da região Sul, é um dos principais problemas de doença nas safras da seca e de outono-inverno. Devido à dificuldade de controle, até o momento a doença tem limitado o cultivo da seca na maioria das regiões mais sujeitas à virose, restringido ou retardando a semeadura para o inverno propriamente dito.

O crestamento-bacteriano e a murcha de curtobacterium também podem ser problemas relevantes nas áreas sob irrigação. A antracnose pode ocasionar problemas nos plantios mais tardios (a partir de abril) principalmente nos estados da região Sul, na safra de outono-inverno. Nas outras regiões de temperaturas mais elevadas e menor umidade relativa (regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste), a incidência das doenças diminui devido ao predomínio de temperaturas moderadas e principalmente menor ocorrência de chuvas, diminuindo a duração do molhamento foliar. Essas épocas são, inclusive, mais propícias para a produção de sementes. O mofo-branco pode provocar sérios danos em áreas de cultivo sob pivô-central e presença de escleródios no solo.

Citam-se mais de 45 enfermidades, de maior ou menor importância, que incidem sobre o feijoeiro, exigindo a aplicação frequente de produtos químicos, o que contribui para elevar os custos de produção, a contaminação do ambiente e do alimento.