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Embrapa terá forte participação na cooperação técnica entre Brasil e Nigéria

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Imagem: Vinicius Kuromoto - Presidente Silvia Massruhá participou do evento e ressaltou o papel de liderança da Embrapa na cooperação Sul–Sul em agricultura tropical, com foco em segurança alimentar e nutricional

Presidente Silvia Massruhá participou do evento e ressaltou o papel de liderança da Embrapa na cooperação Sul–Sul em agricultura tropical, com foco em segurança alimentar e nutricional

Cooperação terá como foco o melhoramento genético vegetal e animal para fortalecer a segurança alimentar

Os governos do Brasil e da Nigéria assinaram, no dia 25 de agosto, memorando de entendimento que garante a cooperação técnica entre os países em áreas estratégicas, como segurança alimentar, transição energética, inovação em saúde e financiamento para negócios. A Embrapa terá um forte papel nessa parceria, especialmente a partir de pesquisas e ações de transferência de tecnologias e conhecimentos nas áreas de melhoramento genético vegetal e animal.

Para discutir os rumos técnicos dessa cooperação bilateral, foi realizado, também no dia 25 de agosto, no auditório do Sebrae Nacional, em Brasília, o Fórum Empresarial Brasil–Nigéria. O evento reuniu autoridades, executivos e líderes de instituições para debater temas estratégicos nos quais deve ser priorizada a integração de esforços entre os dois países. O objetivo é estabelecer uma plataforma de diálogo entre formuladores de políticas, líderes empresariais e investidores de ambos os países que promova oportunidades de negócios para empresas brasileiras e nigerianas em setores estratégicos.

A presidente da Empresa, Silvia Massruhá, participou como palestrante de um dos painéis realizados durante o fórum voltado à segurança alimentar. Junto a ministros africanos e representantes do agronegócio nigeriano e brasileiro (veja mais informações sobre os painelistas em quadro nesta matéria), ela reforçou o papel do Brasil como referência em ciência e tecnologia para agricultura tropical.

 

Escritório na África vai facilitar ações conjuntos

A presidente destacou que desde o G20, a Embrapa tem trabalhado na identificação de oportunidades de cooperação com a África. A Nigéria é um dos países priorizados nesse sentido, pelo forte potencial agrícola dos dois países e pelas semelhanças climáticas entre eles. Massruhá salientou que a Embrapa tem se consolidado como referência em agricultura tropical nas últimas cinco décadas, especialmente na cooperação sul-sul.

Durante o evento, ela concedeu entrevista ao Canal AgroMais (foto à esquerda)

Segundo ela, um dos grandes diferenciais da agricultura brasileira foi ter investido em ciência e tecnologia. “Prova disso são os números. Em 50 anos, tivemos um aumento de 580% na produção de grãos, com um crescimento de área plantada de apenas 140%”, reforçou. Além do investimento em C&T, a presidente destacou ainda a capacitação de pesquisadores e a formulação de políticas públicas como pilares fundamentais dessa evolução.

Esse tripé tem sido a base para desenhar a cooperação técnica com a Nigéria. “O primeiro passo será trazer pesquisadores daquele país para treinamentos nas unidades de pesquisa da Embrapa. Essa capacitação será voltada, especialmente às áreas de melhoramento genético e reprodução animal, incluindo técnicas modernas nas quais o Brasil já possui conhecimento consolidado, como inseminação artificial e transferência de embriões”, explicou Massruhá. Existe também interesse dos nigerianos em pesquisas na área vegetal, especialmente com mandioca, arroz e soja.

De acordo com a presidente, o objetivo é preparar os técnicos e pesquisadores nigerianos para quando a Embrapa iniciar as missões ao país. “Isso não apenas facilitará a transferência de tecnologias e conhecimentos, como também garantirá continuidade das ações integradas de PD&I entre os países”, complementou.

Massruhá lembrou que a Embrapa já está participando de um escritório que o governo federal criou em Adis Abeba, na Etiópia, inclusive com a ida de um pesquisador da Empresa para ajudar no diagnóstico e transferência de conhecimentos.

Ela ressaltou ainda que a cooperação da Empresa com a Nigéria já está avançando desde 2024 na área de produção de leite.

Participaram também como debatedores do painel: os ministros da Agricultura e Segurança Alimentar e do Desenvolvimento Pecuário da Nigéria, Aliyu Sabiu Abdullahi e Alhaji Idi Muktar Maiha, respectivamente; o CEO da Silagreen International Agro Development, Michael Akinruli; além do diretor de Negócios da Zebuembryo, Humberto Rosa, e o chefe de Exportação de Gado Vivo da Minerva, Gustavo Monaco.

A participação da Embrapa e da iniciativa privada brasileira reforçou o papel do Brasil como parceiro estratégico da Nigéria na construção de uma agricultura mais produtiva, sustentável e inclusiva.

 

Ministros africanos destacam importância da parceria com a Embrapa

Os ministros da Agricultura e Segurança Alimentar e do Desenvolvimento Pecuário da Nigéria, Aliyu Sabiu Abdullahi e Alhaji Idi Muktar Maiha, ressaltaram a importância da cooperação com a Embrapa, pelo alto nível tecnológico das pesquisas, o que tem forte potencial para alavancar a agropecuária nigeriana.

Segundo Abdullahi, investir em pesquisas conjuntas voltadas ao melhoramento genético de espécies vegetais, como trigo, arroz, mandioca, feijão-caupi, inhame e batata-doce, entre outras, é de extrema importância para a segurança alimentar do país africano. A Nigéria é, hoje, a maior produtora mundial de mandioca, com cerca de 11 toneladas por hectare. “Nosso objetivo, especialmente com o apoio tecnológico da Embrapa, é chegar a 30 milhões de toneladas, impulsionando a agricultura familiar e contribuindo para a segurança alimentar”, salientou.

Os ministros enfatizaram a importância do melhoramento genético, principalmente para o desenvolvimento de sementes e mudas mais produtivas, que contribuem diretamente para aumentar a produtividade das lavouras. Além disso, observaram que o aporte científico da Empresa pode impulsionar também o uso de boas práticas sustentáveis relacionadas a fertilizantes e controle de pragas.

O ministro da Pecuária pontuou que a cooperação entre o Brasil e a Nigéria reúne dois gigantes agrícolas da África e da América Latina. Além de esforços conjuntos para aumentar a produção de leite, cuja discussão já foi iniciada em 2024, é também interesse do país africano investir no desenvolvimento tecnológico também na pecuária de corte. “O conhecimento da Embrapa nessa área será muito importante, fundamentalmente, para a seleção de animais geneticamente superiores e mais produtivos”, concluiu Maiha.

 

Setor privado comemora a primeira transferência de embriões para a Nigéria

Uma parceria entre a empresa nigeriana Silagreen International Agro Development e a brasileira Zebuembryo resultou na primeira transferência de embriões bovinos para a Nigéria em abril de 2025. As gestações têm sido acompanhadas por técnicos das duas instituições.

De acordo com o diretor de Negócios da Zebuembryo, Humberto Rosa, o sucesso da pecuária brasileira está embasado em três pilares: gado zebuíno, forragem africana e trabalho brasileiro. “Foi o melhoramento e a adaptação desses materiais às condições brasileiras que impulsionaram o desempenho desse setor no Brasil. A adaptação da raça indiana Gir indiano para a brasileira Girolando, em parceria com a Embrapa, (foto à direita) é um dos casos de sucesso nesse sentido”, frisou.

Hoje, segundo Rosa, os números da pecuária brasileira impressionam: na pecuária de corte, cerca de 100 mil cabeças de gado são abatidas por dia, totalizando aproximadamente 38 milhões por ano. Na de leite, a produção é de 100 milhões de litros de leite por dia. Em 2024, o Brasil produziu 36 milhões de litros de leite.

O diretor da Zebuembryo destacou ainda o alto nível tecnológico das pesquisas de reprodução animal, especialmente no que se refere a ferramentas biotecnológicas, como a inseminação artificial e a transferência de embriões.

Rosa e o CEO da Silagreen, Michael Akinruli, veem com bons olhos a cooperação técnica entre os dois países na produção animal. Segundo eles, a Nigéria pode se valer dos bons resultados obtidos pela ciência brasileira nessa área. “Nosso objetivo é facilitar os trâmites e custos para apoiar a Nigéria na importação de genética de alta qualidade”, concluiu o diretor da empresa brasileira.

Para a presidente da Embrapa, as perspectivas combinam investimentos em mecanização, ganhos de produtividade pecuária e intercâmbio técnico-científico, com a Embrapa posicionada como parceira estratégica.

 

Saiba mais sobre o fórum

O evento foi organizado pela ApexBrasil, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Sebrae Nacional, além da Comissão de Promoção de Investimentos da Nigéria (NIPC) e de ministérios nigerianos. A programação contou com quatro painéis temáticos — financiamento a pequenas e médias empresas, novas indústrias e energia, inovação em saúde e segurança alimentar.

No encerramento, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o presidente da Nigéria, Bola Tinubu, assinaram memorandos de entendimento para consolidar a cooperação entre os dois países.

 

Fernanda Diniz
Assessoria de Comunicação (Ascom)

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