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Embrapa e lideranças do agronegócio e da indústria debatem modelos de financiamento para recuperação de pastagens

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Foto: Katia Marsicano

Katia Marsicano - Da esquerda para direita: Eduardo Leão (CropLife), Gabriel Delgado (IICA), Silvia Massruhá e Carlos Augustin (presidente do Consad)

Da esquerda para direita: Eduardo Leão (CropLife), Gabriel Delgado (IICA), Silvia Massruhá e Carlos Augustin (presidente do Consad)

Mais de 100 especialistas do agronegócio, produtores rurais, lideranças da indústria, setores públicos e privados estão discutindo a recuperação produtiva de pastagens e modelos de financiamento para os próximos anos. O tema será um dos carros-chefes do Brasil na COP30. A Embrapa é uma das principais parceiras do governo federal no Programa  Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestais Sustentáveis (PNCPD), que tem como objetivo a recuperação de 40 milhões de hectares de áreas degradadas para uso sustentável no prazo de dez anos. 

O tema foi um dos destaques em workshop técnico promovido pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e pela CropLife Brasil, como preparação para as discussões em Belém. 

“Estamos aqui para discutir esse novo momento da agricultura, em que o potencial de sustentabilidade precisa ser cada vez mais consolidado, com o apoio da ciência e de pessoas capacitadas, pesquisadores, produtores rurais e empreendedores que colaborem com a adoção da inovação tecnológica”, disse a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, durante a abertura do encontro, que contou com a presença de Gabriel Delgado, representante do IICA Brasil, e Eduardo Leão, presidente da CropLife Brasil. Segundo ela, será graças ao conceito de agricultura preditiva, que antecipe cenários e disponha de recursos que revertam em benefício das cadeias produtivas, que será possível garantir segurança alimentar com sustentabilidade.

Na sua opinião, a COP 30, em novembro, na capital paraense, será uma oportunidade única. “Porém não deve ser um momento só de entregas e sim o ponto de partida para o futuro da agricultura brasileira”, completou. “Temos que aproveitar essa oportunidade para mostrar para o mundo que temos estratégia para tornar a agricultura parte da solução para as mudanças climáticas”, disse, ressaltando a contribuição de parceiros na discussão de soluções tecnológicas e na busca por instrumentos financeiros, essenciais para que haja um setor mais resiliente, mais preditivo e sustentável.

Silvia destacou ainda a contribuição no Programa Caminho Verde Brasil, do Governo Federal, que prevê a recuperação de 40 milhões de hectares de áreas  degradadas para uso sustentável no prazo de dez anos. “A Embrapa tem trabalhado com dados científicos nos protocolos e ajudado também o leilão Ecoinvest, para mobilizar recursos junto a instituições privadas para recuperação de terras nos biomas”, afirmou. Para  Massruhá, a ciência, associada a políticas públicas, é um dos maiores segredos da agricultura brasileira, fundamental para a manutenção do protagonismo brasileiro no contexto da pesquisa e da inovação, conectando tecnologia e prática no campo.

A presidente concluiu lembrando a Jornada pelo Clima, promovida pela Embrapa, em eventos pelo País. “Demos início em maio, em Brasília, e já realizamos em Cuiabá, Corumbá, Manaus, Porto Alegre, e o próximo será em Fortaleza e em seguida São Paulo, onde vamos discutir a realidade da Mata Atlântica, os desafios e oportunidades que apareceram sobre as tecnologias para adaptação e mitigação dos gases de efeito estufa”, finalizou. 

Para o representante do IICA no Brasil, Gabriel Delgado, o momento é histórico, com a realização da primeira COP que vai tratar de sistemas alimentares. “A Embrapa vai coordenar um espaço especial para tratar sobre isso, ou seja, inserir a ciência nesse contexto”, destacou. “Temos que melhorar os sistemas alimentares, integrar a produção de insumos, defender os sistemas públicos de pesquisa e a nossa biotecnologia e criar condições que facilitem ainda mais a cooperação internacional”, afirmou. Ainda sobre a Embrapa, disse que a empresa foi capaz de decifrar a agricultura tropical para conquistar o território com produtividade e que tem a chave tecnológica para ajudar outros países.

Ainda na abertura do workshop, Eduardo Leão, presidente da CropLife, disse que o evento, além de promover a integração técnica, representa a oportunidade para troca de experiências, busca por soluções e criação de conexões que transformam a realidade no campo. “Queremos trazer para a discussão, o papel da tecnologia, que envolve soluções biológicas, sementes melhoradas, biotecnologia, defensivos químicos, agricultura de precisão e manejo integrado, e a necessidade de integração à assistência técnica e ao financiamento inovador”, concluiu. 

Na manhã do dia 12 de agosto, a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, também participou de reunião técnica no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), sobre o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestais Sustentáveis (PNCPD), atualmente denominado Programa Caminho Verde Brasil. Ela esteve acompanhada pelo diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, Clenio Pillon, pelos pesquisadores Marília Folegatti (Embrapa Meio Ambiente), Julio Cesar dos Reis (Embrapa Cerrados), Luiz Adriano Maia Cordeiro (Assessor da Presidência da Embrapa) e Aryeverton Fortes (Embrapa Agricultura Digital).  Na pauta do encontro, atualização e alinhamento sobre os encaminhamentos que estão sendo dados às ações relacionadas ao programa, recursos e possibilidades de financiamento.

Painéis discutem soluções tecnológicas integradas

Como parte da programação, foram realizados dois painéis que trataram de soluções tecnológicas integradas e formas de viabilizar financiamentos à cadeia produtiva, com a participação de produtores, associadas da CropLife Brasil, representantes do Ministério da Agricultura,  Embrapa, Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Associação Rede ILPF, Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), Banco de Desenvolvimento KFW e Banco Mundial, para definir as ações concretas a serem inseridas na construção do documento.

Do primeiro painel, participaram a pesquisadora Patrícia Menezes Santos (Embrapa Pecuária Sudeste), na função de mediadora da banca, e o pesquisador Aryeverton Fortes de Oliveira (Embrapa Agricultura Digital), como palestrante (foto). Além dele, estiveram presentes Carlos Ernesto Augustin, assessor especial do Ministério da Agricultura e presidente do Conselho de Administração (Consad) da Embrapa, Francisco Maturro, presidente executivo da Associação Rede ILPF, e os produtores rurais José Amaral e Vanessa Bomm.

“Para iniciar o debate sobre degradação de áreas, é fundamental o alinhamento de conceitos sobre o assunto”, explicou Patrícia, referindo-se a estudos que contribuem com o esclarecimento de questões relacionadas ao tema. “A partir daí é que será possível traçar diretrizes e estratégias, e, claro, com atualizações de cenário constantes que considerem biomas e regiões diferentes”, ressaltou.  A pesquisadora apresentou as variações a serem consideradas em abordagens que incluam recuperação de pastagens e envolvam políticas públicas, instrumentos de financiamento, entre outros aspectos que contribuam com a reversão em terras produtivas.

Ela chamou a atenção ainda à capacitação e à formação de redes multidisciplinares em todos os biomas, com competência e conhecimento da área de pastagens, de agricultura, de solos, de clima e até da parte de Tecnologia da Informação (TI). “Quais modelos de negócios a gente precisa construir para tornar esses sistemas efetivos, capazes de conduzir experimentos de longa duração, e melhorar o diagnóstico e o monitoramento de pastagens”, comentou, destacando que é preciso propósito, direcionamento e financiamento para o desenvolvimento de soluções tecnológicas necessárias.

Para o pesquisador Aryeverton Fortes, o trabalho desenvolvido pela Embrapa ao longo dos anos não se restringiu ao desenvolvimento de tecnologia, mas, desde o começo, tem reforçado seu papel no apoio complementar a instrumentos financeiros que estavam sendo criados desde o início. “O crédito era dado mas a eficiência produtiva não aumentava, então foi criada uma empresa de tecnologia que contribuía com a melhoria dessa realidade”, explicou. “O conhecimento foi  abarcado nos contratos”.

Referindo-se ao programa Caminho Verde, Fortes definiu a estratégia como incentivadora de indicadores de sustentabilidade e carbono associado. “Nisso a Embrapa tem trabalhado muito na lógica de produzir indicadores para avaliação de risco, um processo muito importante, mas que precisa evoluir ainda em componentes de identificação, monitoramento e tratamento de riscos além de outras métricas que promovam a sustentabilidade”, disse.

 

A ciência nas estratégias de ação

A Embrapa teve participação efetiva no segundo leilão do Programa Eco Invest Brasil, que atraiu demanda de R$ 17,3 bilhões e tem potencial para gerar R$ 31,4 bilhões em investimentos para a recuperação de áreas degradadas.

A instituição contribuiu ainda para a definição de critérios de elegibilidade, que direcionam os recursos para conversão de áreas por projetos com maior potencial de impacto ambiental e retorno produtivo. Também colaborou na construção das contrapartidas exigidas, equilibrando incentivos financeiros com compromissos de adoção de práticas que promovem a sustentabilidade.

No campo técnico, a empresa estabeleceu parâmetros e indicadores para monitorar o desempenho das iniciativas e coordenou a elaboração de protocolos agrícolas, pecuários e florestais que serão aplicados em milhares de hectares a serem recuperados. Essas diretrizes reúnem práticas e tecnologias já validadas pela instituição, garantindo intervenções eficientes, sustentáveis e economicamente viáveis.

Segundo Aryeverton, com essa atuação, a Embrapa reforça sua posição como referência nacional em ciência e inovação agropecuária, contribuindo para que os bilhões mobilizados pelo EcoInvest Brasil se transformem em resultados concretos para o meio ambiente, a produção e a sociedade.

Katia Marsicano (MTb DF 3645)
Assessoria de Comunicação (Ascom)

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