Lideranças comunitárias e técnicos em agropecuária de seis municípios paraenses participaram do primeiro curso de formação de multiplicadores na tecnologia Sisteminha Embrapa/UFU/Fapemig. O curso ocorreu na sede da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém, de 28 de julho a 1º de agosto. O Sisteminha é uma tecnologia social de produção de alimentos voltada ao combate à fome no meio rural, que envolve a criação de peixes, galinhas e produção vegetal em pequenas áreas, de forma integrada e com baixo custo. Ilano Nascimento, que é agrônomo, foi um dos participantes do curso e acredita que a única alternativa do agricultor familiar é a mudança de paradigma por meio das tecnologias sociais. “É fundamental que o agricultor se aproxime da pesquisa e se apodere dessas tecnologias”, afirma Ilano, que é presidente da Associação do Produtores Rurais da Terra Firme, bairro da cidade de Belém. A entidade reúne 17 famílias que praticam agricultura urbana e periurbana dentro dos princípios da agroecologia. “O Sisteminha transforma a realidade social por meio do combate à fome. Em 20 dias depois de instalar o sistema, a gente já tem o que comer. Isso é fundamental para a transformação do nosso território”, afirmou o agrônomo. A Embrapa está comprometida em implantar 300 Sisteminhas em áreas urbanas e periurbanas de municípios considerados “desertos alimentares”, onde a produção de alimentos é baixa e o acesso a alimentos frescos é limitado. A iniciativa é financiada pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) por meio do programa Alimenta Cidades. Para Pedro Vianna, técnico da Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Bragança, município localizado no nordeste do Pará, e também participante da capacitação, essa tecnologia é fundamental para a agricultura familiar da região. Bragança tem quase 132 mil habitantes e a base da economia, segundo o técnico, é a agricultura familiar e o pescado. “Cerca de 90% dos produtores de Bragança são da agricultura familiar e o Sisteminha é uma tecnologia que possibilita ao município avançar na questão da alimentação, no combate à fome e na melhoria da agricultura”, afirmou Vianna. Ele ressalta ainda que a capacitação veio em um momento bastante oportuno: “estamos na fase do preparo de áreas para os plantios de verão e essa capacitação vai nos possibilitar levar o Sisteminha para diversas comunidades rurais, seja na praia, na colônia, nos campos e nas áreas quilombolas”, acrescentou. O pesquisador Luiz Carlos Guilherme, da Embrapa Maranhão, afirma que esse curso é um marco para o estado do Pará. "Trouxemos a metodologia do Sisteminha com uma abordagem prática e integrada, que alia criação de peixes, aves e produção vegetal em pequenos espaços. A proposta é formar multiplicadores capazes de aplicar essa tecnologia em suas comunidades, promovendo segurança alimentar, autonomia e geração de renda. Mais do que transferir conhecimento, é preciso vencer barreiras de acesso, distância e adaptação local", afirmou. Produção integrada O Sisteminha Embrapa é uma forma integrada de produzir alimento para uma família de até cinco pessoas. É estruturado de forma modular, sendo possível adicionar ou retirar elementos do projeto original para adaptar às diferentes realidades. O agrônomo João Batista Zonta, que é supervisor do Setor de Prospecção e Avaliação de Tecnologias da Embrapa Maranhão, explica que os módulos principais da tecnologia são a piscicultura e o galinheiro, que produzem as proteínas animais. Como manejo adequado, o módulo de piscicultura pode produzir 30 quilos de peixe a cada 3 ou 4 meses. Já no galinheiro a tecnologia preconiza galinhas de postura para o consumo dos ovos, com potencial de produção de 18 ovos por dia durante um ano. A partir dos resíduos gerados nesses módulos é possível produzir o composto orgânico que serve como adubo do módulo vegetal. Este módulo, segundo o agrônomo, pode envolver o cultivo de frutas, hortaliças ou outros produtos de acordo com o interesse da família e a vocação da região. "O Sisteminha se mostra viável justamente porque é modular, adaptável e centrado no aproveitamento de recursos disponíveis, o que permite atender inclusive populações ribeirinhas, que historicamente foram invisibilizadas nas políticas de produção de alimentos", completa o pesquisador Luiz Carlos Guiherme. A Embrapa monitora a adoção do Sisteminha no Maranhão e no Piauí. “Na região de Paulistana, no Piauí, e em Itapecuru, no Maranhão, já temos iniciados em torno de 200 Sisteminhas. Mas temos conhecimento que a tecnologia já está presente também em Minas Gerais, Pernambuco, Ceará e na Bahia”, conta Zonta. Unidade de referência O curso, organizado pelas Unidades da Embrapa no Pará e no Maranhão e ministrado pelo pesquisador Luiz Guilherme, que desenvolveu a tecnologia, teve 32 horas de aulas teóricas e práticas divididas em seis módulos ao longo desta semana. Um Sisteminha completo foi instalado na sede da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém, que passa a ser um polo irradiador dessa tecnologia social na região Norte. “Essa unidade do Sisteminha será uma ferramenta para a capacitação de mais produtores rurais, comunidades e outros segmentos. Trata-se de uma unidade de referência tecnológica para toda a região urbana e periurbana de Belém e de municípios vizinhos”, afirma o agrônomo Vladimir Bonfim, supervisor do Setor de Transferência de Tecnologias da Embrapa Amazônia Oriental. De acordo com a chefe-adjunta da Transferência de Tecnologia da Embrapa Maranhão, Guilhermina Cayres, a parceria com o MDS está permitindo que pela primeira vez a Empresa estruture um modelo de transferência de uma tecnologia de impacto social sob a orientação da Diretoria de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia (DINT). “Esse modelo está sendo pensado para que as Unidades cada vez mais se tornem referência na transferência dessa tecnologia e tenham competência técnica para reproduzi-la e o entendimento do impacto social que ela promove, podendo ser procuradas por agentes públicos, iniciativa privada e outros interessados”, afirmou. Além da autonomia que a tecnologia promove para as famílias na produção dos próprios alimentos de forma escalonada e contínua, há a possibilidade de o excedente dessa produção ser transformado em negócios locais. “É combater a fome e promover o empreendedorismo nas famílias”, finaliza a gestora.
Lideranças comunitárias e técnicos em agropecuária de seis municípios paraenses participaram do primeiro curso de formação de multiplicadores na tecnologia Sisteminha Embrapa/UFU/Fapemig. O curso ocorreu na sede da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém, de 28 de julho a 1º de agosto. O Sisteminha é uma tecnologia social de produção de alimentos voltada ao combate à fome no meio rural, que envolve a criação de peixes, galinhas e produção vegetal em pequenas áreas, de forma integrada e com baixo custo.
Ilano Nascimento, que é agrônomo, foi um dos participantes do curso e acredita que a única alternativa do agricultor familiar é a mudança de paradigma por meio das tecnologias sociais. “É fundamental que o agricultor se aproxime da pesquisa e se apodere dessas tecnologias”, afirma Ilano, que é presidente da Associação do Produtores Rurais da Terra Firme, bairro da cidade de Belém. A entidade reúne 17 famílias que praticam agricultura urbana e periurbana dentro dos princípios da agroecologia.
“O Sisteminha transforma a realidade social por meio do combate à fome. Em 20 dias depois de instalar o sistema, a gente já tem o que comer. Isso é fundamental para a transformação do nosso território”, afirmou o agrônomo.
A Embrapa está comprometida em implantar 300 Sisteminhas em áreas urbanas e periurbanas de municípios considerados “desertos alimentares”, onde a produção de alimentos é baixa e o acesso a alimentos frescos é limitado. A iniciativa é financiada pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) por meio do programa Alimenta Cidades. |
Para Pedro Vianna, técnico da Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Bragança, município localizado no nordeste do Pará, e também participante da capacitação, essa tecnologia é fundamental para a agricultura familiar da região. Bragança tem quase 132 mil habitantes e a base da economia, segundo o técnico, é a agricultura familiar e o pescado.
“Cerca de 90% dos produtores de Bragança são da agricultura familiar e o Sisteminha é uma tecnologia que possibilita ao município avançar na questão da alimentação, no combate à fome e na melhoria da agricultura”, afirmou Vianna. Ele ressalta ainda que a capacitação veio em um momento bastante oportuno: “estamos na fase do preparo de áreas para os plantios de verão e essa capacitação vai nos possibilitar levar o Sisteminha para diversas comunidades rurais, seja na praia, na colônia, nos campos e nas áreas quilombolas”, acrescentou.
O pesquisador Luiz Carlos Guilherme, da Embrapa Maranhão, afirma que esse curso é um marco para o estado do Pará. "Trouxemos a metodologia do Sisteminha com uma abordagem prática e integrada, que alia criação de peixes, aves e produção vegetal em pequenos espaços. A proposta é formar multiplicadores capazes de aplicar essa tecnologia em suas comunidades, promovendo segurança alimentar, autonomia e geração de renda. Mais do que transferir conhecimento, é preciso vencer barreiras de acesso, distância e adaptação local", afirmou.
Produção integrada
O Sisteminha Embrapa é uma forma integrada de produzir alimento para uma família de até cinco pessoas. É estruturado de forma modular, sendo possível adicionar ou retirar elementos do projeto original para adaptar às diferentes realidades. O agrônomo João Batista Zonta, que é supervisor do Setor de Prospecção e Avaliação de Tecnologias da Embrapa Maranhão, explica que os módulos principais da tecnologia são a piscicultura e o galinheiro, que produzem as proteínas animais. Como manejo adequado, o módulo de piscicultura pode produzir 30 quilos de peixe a cada 3 ou 4 meses. Já no galinheiro a tecnologia preconiza galinhas de postura para o consumo dos ovos, com potencial de produção de 18 ovos por dia durante um ano.
A partir dos resíduos gerados nesses módulos é possível produzir o composto orgânico que serve como adubo do módulo vegetal. Este módulo, segundo o agrônomo, pode envolver o cultivo de frutas, hortaliças ou outros produtos de acordo com o interesse da família e a vocação da região.
"O Sisteminha se mostra viável justamente porque é modular, adaptável e centrado no aproveitamento de recursos disponíveis, o que permite atender inclusive populações ribeirinhas, que historicamente foram invisibilizadas nas políticas de produção de alimentos", completa o pesquisador Luiz Carlos Guiherme.
A Embrapa monitora a adoção do Sisteminha no Maranhão e no Piauí. “Na região de Paulistana, no Piauí, e em Itapecuru, no Maranhão, já temos iniciados em torno de 200 Sisteminhas. Mas temos conhecimento que a tecnologia já está presente também em Minas Gerais, Pernambuco, Ceará e na Bahia”, conta Zonta.
Unidade de referência
O curso, organizado pelas Unidades da Embrapa no Pará e no Maranhão e ministrado pelo pesquisador Luiz Guilherme, que desenvolveu a tecnologia, teve 32 horas de aulas teóricas e práticas divididas em seis módulos ao longo desta semana. Um Sisteminha completo foi instalado na sede da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém, que passa a ser um polo irradiador dessa tecnologia social na região Norte. “Essa unidade do Sisteminha será uma ferramenta para a capacitação de mais produtores rurais, comunidades e outros segmentos. Trata-se de uma unidade de referência tecnológica para toda a região urbana e periurbana de Belém e de municípios vizinhos”, afirma o agrônomo Vladimir Bonfim, supervisor do Setor de Transferência de Tecnologias da Embrapa Amazônia Oriental.
De acordo com a chefe-adjunta da Transferência de Tecnologia da Embrapa Maranhão, Guilhermina Cayres, a parceria com o MDS está permitindo que pela primeira vez a Empresa estruture um modelo de transferência de uma tecnologia de impacto social sob a orientação da Diretoria de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia (DINT). “Esse modelo está sendo pensado para que as Unidades cada vez mais se tornem referência na transferência dessa tecnologia e tenham competência técnica para reproduzi-la e o entendimento do impacto social que ela promove, podendo ser procuradas por agentes públicos, iniciativa privada e outros interessados”, afirmou.
Além da autonomia que a tecnologia promove para as famílias na produção dos próprios alimentos de forma escalonada e contínua, há a possibilidade de o excedente dessa produção ser transformado em negócios locais. “É combater a fome e promover o empreendedorismo nas famílias”, finaliza a gestora.