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Pesquisadora da Embrapa recebe prêmio BRICS Solutions Awards
Foto: Myriam Nobre
Pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo Christiane Paiva, no momento da premiação no Rio de Janeiro
Primeiro produto registrado no Brasil capaz de aumentar a absorção de fósforo pelas plantas é reconhecido mundialmente
Christiane Abreu de Oliveira Paiva, pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo, é uma das vencedoras do BRICS Solutions Awards, prêmio que valoriza tecnologias no Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o prêmio tem como finalidade destacar iniciativas que impulsionam o desenvolvimento sustentável e abordam problemas globais, com foco na mudança do clima. A pesquisadora foi homenageada no Rio de Janeiro-RJ na noite deste sábado, 05 de julho, durante o BRICS Business Forum 2025, que reuniu líderes empresariais, autoridades governamentais, organizações internacionais e especialistas dos países do BRICS, além de nações convidadas, para promover a cooperação econômica, o comércio internacional e o desenvolvimento sustentável.
O projeto “Transforming Agricultural Systems: Microbial Bio-Inputs Driving Sustainable Fertilizer Reduction, Christiane Paiva, Embrapa – Brazil” ou “Transformando Sistemas Agrícolas: bioinsumos microbianos impulsionam a redução sustentável de fertilizantes”, premiado no BRICS Solutions Awards na categoria “Bioeconomia”, mostra o desenvolvimento do primeiro produto registrado no Brasil capaz de aumentar a absorção de fósforo pelas plantas. Desenvolvido em parceria com o setor privado, o inoculante solubilizador de fosfato expandiu a sua presença em lavouras de 228 mil hectares, na safra 2018/2019, para mais de 7 milhões de hectares no último período agrícola, sendo aplicado em lavouras de soja, milho e cana-de-açúcar, contribuindo para o aumento da produtividade, redução dos custos de produção e diminuição dos impactos ambientais. Além disso, a solução fortalece a autonomia nacional ao reduzir a dependência de fertilizantes importados, tema central das discussões de segurança alimentar e econômica do País.
Após receber o prêmio, a pesquisadora Christiane Paiva, da Embrapa Milho e Sorgo, destacou o papel estratégico da ciência pública e das parcerias para o sucesso da tecnologia: “Essa conquista demonstra que resultados concretos acontecem quando o Estado investe em ciência, tecnologia e inovação e quando existem parceiros comprometidos com um processo eficiente de escalonamento e desenvolvimento de mercado”, afirmou. “O reconhecimento reforça o protagonismo do Brasil e da Embrapa no avanço da bioeconomia e evidencia o potencial dos países do Sul Global em liderar soluções sustentáveis, alinhadas aos desafios globais de segurança alimentar, resiliência climática e uso mais eficiente dos recursos naturais”, reforça.
“Para mim, a premiação significa, antes de tudo, uma grande certeza de reconhecimento da pesquisa brasileira desenvolvida pela Embrapa e da ciência entre os países do BRICS na área de bioeconomia. Em segundo lugar, significa uma conquista para nós, mulheres cientistas, em estar neste patamar de uma premiação internacional”, afirma a pesquisadora Christiane Paiva. “É uma alegria imensa ver a área de bioinsumos cada vez mais valorizada e destacada, principalmente na área da solubilização biológica do fósforo. Pessoalmente, sinto uma satisfação muito grande poder representar a Embrapa e toda a nossa equipe”, complementa. A categoria “Bioeconomia” traz soluções que utilizam recursos biológicos renováveis para substituir materiais fósseis e reduzir o impacto ambiental.
A presidente Silvia Massruhá, da Embrapa (foto à direita, crédito George Vieira), destacou: “Christiane representa, hoje, o que há de melhor na ciência brasileira: competência, inovação, visão de futuro e, com grande orgulho, a força da mulher na pesquisa agropecuária. Resultados como os entregues pelos estudos do BiomaPhos mostram a relevância das instituições de pesquisa do Brasil e como estamos contribuindo para o desenvolvimento da ciência mundial”.
Frederico Durães, chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo, afirmou que “neste caso de disrupção inovativa, a ciência da prospecção, mecanismos de ação e utilização de microrganismos para a solubilização de fósforo - elemento essencial para os organismos vivos, têm demonstrado inovação na ciência, tanto quanto têm demonstrado inovação na modelagem e nas tratativas negociais e mercadológicas”. “É uma inovação não trivial, na parceria público-privada, típica do continuum ciência, tecnologia e mercado, pautada nas agendas globais, inovações tecnológicas, marco legal e dinâmica dos mercados. Gratos pela aliança estratégica e acordos funcionais em progresso, focando em soluções para os produtores e a agropecuária tropical”, reforçou. “Felicito a pesquisadora Christiane Paiva e toda a equipe por comporem as principais lideranças da parceria técnico-científica e negocial, entre a Embrapa e o Grupo Simbiose/Bioma, que têm promovido a inovação no campo da bioeconomia, com ênfase para bioinsumos modernos, eficientes e de alto impacto para o agricultor e a agropecuária tropical, com grandes perspectivas de expansão em áreas e territórios fora do Brasil”, concluiu.
O BRICS Solutions Awards atraiu 500 submissões de projetos em todo o mundo, com a Rússia apresentando 174 projetos, o Brasil contribuindo com 159 e a China enviando 61. A Índia submeteu 42 projetos; a África do Sul, 29, seguida pelos Emirados Árabes Unidos com 16, o Irã com 12 e um número menor de inscrições do Iraque, Indonésia, Hong Kong, Turcomenistão, Marrocos, Holanda, Bielorrússia, Egito, Quirguistão, Nigéria, Etiópia, Afeganistão e Cingapura. Na categoria Bioeconomia, na qual a pesquisa da Embrapa foi reconhecida, foram submetidas 40 propostas.
Como funciona o inoculante
Apenas 0,1% do elemento fósforo (P) está prontamente disponível para absorção imediata pelas plantas. Estudos conduzidos pela Embrapa revelam que há um estoque bilionário de fósforo nos solos, que se encontra inerte e não pode ser aproveitado pelas plantas. “Em alguns solos de plantio direto, cerca de 88% do fósforo encontra-se em forma orgânica, indisponível para ser absorvido pelas raízes, e precisa ser mineralizado para esse fim. As bactérias solubilizadoras de fosfatos conseguem disponibilizar o elemento para a planta, atuando de forma agronômica nesse grande estoque presente na natureza”, explica Christiane Paiva.
O primeiro inoculante comercial brasileiro para a solubilização de fosfato foi produzido a partir de microrganismos tropicais, selecionados pela Embrapa. O inoculante líquido é recomendado para tratamento de sementes ou aplicação via jato dirigido no sulco de semeadura. De acordo com Paiva, os Bacillus presentes nos produtos comerciais se multiplicam mais facilmente e colonizam de forma mais eficiente a região da raiz da planta, a rizosfera, iniciando a produção de diferentes substâncias que atuam no processamento do fósforo, chamadas de solubilizadores, tornando esse nutriente mais disponível para a absorção e assimilação pelas plantas.
Além disso, a pesquisadora explica que os Bacillus atuam na mineralização do fósforo presente na matéria orgânica do solo por meio da liberação de enzimas fitases, dando maior aporte desse elemento para o cultivo. Segundo ela, nas avaliações realizadas em áreas de produção de milho, a aplicação do produto resultou em ganho médio de produtividade de 8,9% e aumento de 19% do elemento fósforo exportado para os grãos. Para a soja, a média de produtividade saltou de 67,2 sacas por hectare para 71,6 sacas, além do aumento de 14% do conteúdo de fósforo nos grãos. No caso da cana-de-açúcar, os ganhos em toneladas por hectare ficam acima de 14%, além de incremento de 12% para toneladas de açúcar.
Expansão internacional
Christiane Paiva conta que a solução disruptiva extrapolou o mercado nacional e chegou ao exterior. “Ela começou a ser avaliada nos Estados Unidos em 2022, quando obteve a liberação de uso em 14 estados americanos, incluindo os que compõem o chamado Cinturão do Milho, o Corn Belt,” conta a pesquisadora.
De acordo com ela, em maio de 2024 o produto foi registrado na Alemanha, no Canadá, na Argentina, no Paraguai, na Bolívia e na Costa Rica. No Uruguai, está em fase de registro. “A tecnologia foi validada no campo nos Estados Unidos, Canadá e Alemanha com ganhos médios de produtividade de 17 sacas de milho por hectare nas áreas avaliadas e de 10 sacas de soja por hectare”, reforça Christiane.
Quem é Christiane Paiva
Christiane Paiva é pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo desde 2010, nas áreas de microbiologia e bioquímica do solo, e é responsável pela pesquisa que culminou com o lançamento do primeiro produto biológico brasileiro para fósforo à base de microrganismos solubilizadores de fosfato, o BiomaPhos (em parceria com o Grupo Simbiose Agro/Bioma), e dos produtos comerciais Omsugo ECO e Omsugo P (parceria com a Corteva Agriscience) e SolubPhos (nos Estados Unidos, pelo grupo Simbiose Agro) por meio de parcerias público-privada. São bioinsumos solubilizadores de fósforo, elemento vital para o desenvolvimento das plantas. Os resultados de sua aplicação aumentam a produtividade e a resiliência das culturas e reduzem a aplicação de produtos químicos fosfatados.
Em 2024, recebeu a Insígnia Johanna Döbereiner de Liderança Científica e foi a primeira pessoa a receber a Insígnia, instituída para reconhecer profissional da ciência e inovação responsável por um trabalho promissor, capaz de impactos positivos para a agricultura do presente e futuro.
Sobre o fórum
O fórum é realizado anualmente, paralelamente à Cúpula do BRICS, e visa oferecer aos líderes do BRICS perspectivas do setor privado sobre como enfrentar desafios compartilhados e promover prioridades empresariais de interesse comum. O evento antecede a Cúpula dos Chefes de Estado do BRICS, realizada pela terceira vez no Brasil. Neste ano, o fórum abordará temas cruciais para o desenvolvimento econômico sustentável, com destaque para estratégias de comércio e segurança alimentar, transição energética, descarbonização, desenvolvimento de habilidades e economia digital, além de financiamento e inclusão financeira.
O encontro é organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), coordenadora do Conselho Empresarial do BRICS (CEBRICS) e da Women's Business Alliance (WBA), grupos de engajamento do setor privado dos países membros, durante a presidência brasileira do bloco.
Sobre o BRICS
O BRICS é um agrupamento formado por onze países membros: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Serve como foro de articulação político-diplomática de países do Sul Global e de cooperação nas mais diversas áreas. Os objetivos do BRICS incluem fortalecer a cooperação econômica, política e social entre seus membros, bem como promover um aumento da influência dos países do Sul Global na governança internacional. O grupo busca melhorar a legitimidade, a equidade na participação e a eficiência das instituições globais, como a ONU, o FMI, o Banco Mundial e a OMC. Além disso, visa impulsionar o desenvolvimento socioeconômico sustentável e promover a inclusão social.
Guilherme Viana (MTb 06566/MG)
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