Curso capacitou extensionistas para conservação de polinizadores nativos em SP
Curso capacitou extensionistas para conservação de polinizadores nativos em SP
Formação promovida pela Embrapa, em parceria com a Cati e o Itesp, desenvolveu atividades para melhor atender as demandas de agricultores familiares, visando contribuir com o Plano de Ação Nacional de Conservação de Insetos Polinizadores
Pesquisadores, analistas, extensionistas e bolsistas se reuniram em Jaguariúna, em 12 de agosto, para um curso de capacitação sobre a importância da diversidade de polinizadores nativos na agricultura e a relação das práticas agrícolas com a conservação do serviço ambiental de polinização. A iniciativa, promovida pela Embrapa em parceria com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) e a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), destacou a importância de abelhas e outros animais para a produção de alimentos, a biodiversidade e a conservação dos ecossistemas. O evento contou, ainda, como o apoio financeiro da Cati.
O curso “Polinizadores e Agroecologia: práticas agrícolas e a conservação do serviço ambiental de polinização na agricultura” foi coordenado pela pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Katia Braga, pelo pesquisador da Embrapa Meio-Norte Ricardo Camargo, e pelo analista da Cati Osmar Mosca Diz e a pesquisadora Ana Bovoy. O evento contou com a participação de 10 extensionistas e foi planejado a partir de um estudo prospectivo com 52 agricultores e agricultoras familiares do estado. O levantamento, obtido por meio de questionário aplicado pelos próprios extensionistas, buscou identificar as percepções e as demandas de conhecimento sobre polinização, interação entre plantas com flores e polinizadores, e estratégias de conservação desse serviço ambiental essencial para a agricultura.
A formação atendeu uma necessidade concreta de extensionistas e dos agricultores: embora o papel da diversidade de polinizadores nativos na produção agrícola, especialmente de abelhas, seja amplamente reconhecido pela ciência, esse conhecimento ainda não se encontra integrado ao cotidiano da produção e das propriedades rurais e, em geral, não é tratado em relação às práticas agrícolas e seus impactos.
Estudos internacionais apontaram que a intensificação do modelo agrícola dominante ameaça a diversidade e a abundância de polinizadores silvestres, comprometendo a estabilidade da polinização na agricultura, sobretudo diante da crise climática, hídrica e de biodiversidade.
Para o analista da Cati Osmar Mosca Diz, o curso foi “muito proveitoso”. Ele destacou que a capacitação permitiu alinhar o conhecimento científico com a experiência prática dos extensionistas e as demandas dos agricultores. “O extensionista é preparado para trabalhar junto com os pesquisadores, trazendo o olhar e a percepção dos agricultores para desenvolver ações que atendam suas expectativas”, afirmou. Segundo Diz, a iniciativa fortaleceu o olhar atento para os componentes da natureza e reforçou a percepção de que as abelhas são produtoras essenciais de alimento.
“A gente percebeu o quanto a natureza é providente em colocar as abelhas junto com a gente no trabalho de produzir alimento”, disse. Ele ainda ressaltou que a capacitação abrirá caminho para novas atividades conjuntas entre Cati, Itesp e Embrapa, em benefício do agricultor familiar.
O analista do Itesp Guilherme Garcia Rangel considerou “fundamental” a integração entre instituições de pesquisa e órgãos públicos na linha de frente do atendimento a agricultores familiares. Ele lembrou que eventos recentes, como incêndios e perdas de patrimônio genético, reforçaram a necessidade de reconstruir processos produtivos e ecológicos. Nesse sentido, o curso foi importante para promover ações de desenvolvimento e reflexão sobre conservação. “Eu acho fantástico termos no nosso meio natural a revitalização desse processo educacional, formativo e de pesquisa”, afirmou.
“Foi fundamental integrar saberes científicos, técnicos e populares para fortalecer práticas agrícolas que favoreçam os polinizadores e, com isso, a segurança alimentar e a saúde dos ecossistemas”, afirmou a pesquisadora Katia Braga. Segundo ela, o curso também teve como objetivo valorizar os sistemas agroecológicos e agroflorestais biodiversos e suas práticas na conservação do serviço ambiental de polinização, fortalecendo a atuação dos extensionistas nesta temática.
A atividade também contribuiu para o cumprimento do primeiro objetivo do Plano de Ação Nacional de Conservação de Insetos Polinizadores: reduzir o uso e os efeitos nocivos, diretos e indiretos, de agrotóxicos e outras substâncias tóxicas sobre os insetos polinizadores e suas plantas associadas (Portaria ICMBio nº 1.145/2022).
A programação incluiu apresentações, debates, atividades teóricas e práticas interativas. Os temas abrangeram desde a diversidade dos polinizadores e suas interações com flores até os impactos das práticas agrícolas e estratégias de conservação. Entre as atividades práticas, houve uma história interativa sobre a vivência da polinização na agricultura e uma oficina sobre a reprodução vegetal conduzida pelas pesquisadoras Katia Braga e Ana Bovoy.
Integrado ao projeto RedeForte, desenvolvido pela Embrapa, o curso reforçou o papel da ciência na construção de soluções sustentáveis para a agricultura familiar e para a conservação dos ecossistemas brasileiros.
Cristina Tordin (MTb 28.499/SP)
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